Trancada numa redoma sentimental, sem expectativas e muitos
questionamentos sobre essas “coisas de amor”. Amor próprio e só. Se apaixonar é
fora de questão, é coisa para outra vida, para outras pessoas. Um estado de
espírito livre, sem amarras, sem conexões, sem nada, só uma alma solitária
vagando na terra e aproveitando momentos esporádicos, com pessoas esporádicas
sem uma real conexão de almas, de vidas.
O mundo é mágico e cheio de surpresas. Numa esquina qualquer
ele destrói sua redoma, faz sua alma querer ter outra para se conectar, ter uma
vida ao lado da sua para tudo fazer sentido. Sentido esse que se encontra num
sorriso, num abraço, num olhar. Que mundo louco. Uma loucura desgovernada,
hipnótica, uma loucura realmente louca para ser entendida.
Entender para que, entender o que, entender como, se a única
coisa que faz sentido é aquele sorriso?!
Não sei se é a porta do paraíso ou o topo de um precipício,
é fascinante e de tirar o fôlego. Respirar parece a tarefa mais difícil quando
os olhares se cruzam, a pele sente o toque, o cérebro não funciona não respeita
comandos, vira tudo uma loucura de dois corpos em um, de duas almas em uma, de
duas vidas em uma só.
Nada faz sentido com todo o sentido mundo, minha roupa tem
seu cheiro, minha pele tem seu cheiro, meu cheiro tem seu cheiro. Parece uma
loucura surreal, mas, é só a surrealidade de uma loucura.
Insanidade para quem já teve sanidade demais, expectativas
absurdas para quem odiava expectativas, questionamentos insanos para quem
jamais questionava, um amor próprio que aumenta ao ser compartilhado, e essa
tal de paixão ainda temos dúvidas se é só para outras vidas.

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