Numa manhã não muito diferente de outras,
A não ser pela decisão de viver.
Não apenas existir, intensamente viver.
Que não seja da boca pra fora,
Como fora das demais vezes.
Guardei-me no alçapão da vida,
Deixei passar, deixei escorrer, deixei.
Basta! Ordeno que haja mudança.
Ordeno acreditar na mudança.
A diferença do que fui ontem e do que sou hoje
Consiste no desligamento, no livramento, na abertura
Das algemas que me prendiam a você.
Não existe mais, não como já existiu.
Mudamos, sem exceções. Amadurecemos, ou não.
Regredimos, modificamos o percurso de nossas vidas.
O rumo da sua vida foi pra um lugar distinto,
Lugar esse que não cabe a minha presença.
Sofri.
Superei? Superando é um termo mais condizente.
Superarei? Com toda a certeza.
Ser livre, livre do que não mais me acrescenta.
Livre do que me aprisiona.
Aprisionava-me no alçapão da vida.
Já posso ver o sol. Ele sorri pra mim,
Assim como nos meus desenhos de infância.
Não sei se ele realmente brilhava assim
Ou se eu modifiquei a maneira de absorver seu brilho.
Quando belo estamos interiormente,
Belo nos tornamos exteriormente.
Belo se torna o mundo.
Belo e intenso se torna o brilho do sol.

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