29 de abr. de 2014

O enlouquecimento da cura



Sempre que entramos em uma guerra não saímos dela ilesos e é assim também na batalha do amor. Um verdadeiro massacre que deixa marcas bem significativas. Já passei por um massacre desses, apesar de ser uma pessoa bem exagerada, e às vezes sofrer bem mais do que a dor realmente oferece, esse massacre deixou feridas que ainda não estão totalmente cicatrizadas. Às vezes elas ainda sangram.
Dizem que um amor com outro amor se cura, o que eu relativamente não acredito, ou não acreditava, mas às vezes começamos a acreditar em coisas anteriormente banais na esperança de que algo mude verdadeiramente. Assim como algumas pessoas acreditam que um chazinho é o remédio milagroso para toda e qualquer dor. Nesse caso, no meu caso, é um novo amor.
Eu o encontrei em um dia bem comum, chovia um pouco, parecia até um envio de Deus, e na verdade quando ele sorriu eu tive a plena certeza de era um envio do próprio Deus, um presente pra mim. Ele sorri com os olhos, e é tão mágico.
Não sou do tipo de pessoa que leva jeito com os sentimentos, nem os meus muito menos os dos outros. Não gosto de fazer sofrer, mas pelo mau jeito acabo demonstrando o oposto do meu coração diz. Queria que fosse diferente, mas quando vejo já ultrapassei os limites da estupidez. A estupidez de não aceitar o novo, por medo de ele ser como o velho. Cortar, rasgar, ferir, maltratar, massacrar meu coração. Sei que pode parecer patético, mas depois de más experiências criamos barreiras, barreiras difíceis de serem quebradas.
Sempre afasto quem quero perto, acho mais fácil ignorar e fazer com que não me queiram por perto, que me detestem, assim não terão tempo de conviver, descobrir, descobrir que a dureza é só uma casca. Casca essa que se dissolve com aqueles olhos. Por mais que eu queira, que eu tente e me esforce pra mantê-lo longe, ele quebra as barreiras, e o mais fascinante, apenas com um sorriso. Aquele sorriso recatado, que vem da alma.
Ele mexe comigo, confesso, e de uma forma estranha, de um jeito que me faz ter a vontade de desvendar o mistério daquele olhar, que muito diz e que ironiza muito mais. Se ele é o meu remédio, a minha cura eu não sei, só sei que antes de curar esta me enlouquecendo.



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