31 de ago. de 2013

Me conhecendo pra me apresentar



Sei falar sobre muitas coisas, discorrer sobre inúmeros assuntos, mas falar de mim é tão estranho, parece que olhar no espelho e ter que se identificar é uma tarefa muito complicada, mas estive pensando em quem eu sou, o que quero, onde quero chegar, do que gosto...
Realmente quem ler isso ficará se perguntando, e eu com isso? É, e você com isso?! Bom, as vezes temos zilhares de  amigos, mas realmente nunca nos apresentamos de fato, deixamos que eles nos desvendem e essa é a magica, só que as vezes acho que só a magia não tem sido o suficiente. É como se eu sentisse a necessidade de que me descubram, ou algo do tipo.
Sou um ser bem estranho, mas creio que ninguém é completamente normal, tenho tantas manias, que são quase incontáveis, chegam a ser irritantes até pra mim, tenho 21 anos com a cabeça de 65, sou realmente uma jovem idosa, sou ranzinza, preocupada, odeio que deixe a cama desarrumada, odeio desorganização, não consigo me encontrar quando meu quarto não esta no minimo 95% arrumado, e isso me irrita, pois acredito que deveria ser mais despreocupada.
Sou daquele tipo de pessoa que não consegue desconfiar do ser humano, sabe aquele tipo de pessoa que leva na cara trilhares de vezes pelo mesmo motivo e não aprende, na verdade não vejo isso como um completo defeito, mas isso significa que ainda acredito no ser humano. Tenho um amor incontrolável pelo ser humano, mas não gosto muito de convívio social, e isso é um conflito pra mim, tenho sede de ajudar, de ser um ombro amigo nas horas difíceis, adoro ouvir histórias de vida, de amor, mas quando digo amor, é amor em geral, tudo aquilo que te fez viver e reviver para que tudo mudasse, me compreende?
Sou uma moça completamente sensível, muitas pessoas já me disseram que isso tem a ver com o meu lado "artista" de ser, essa maneira de ver o mundo, como se ele fosse mágico, místico, sem fronteiras, sem barreiras, tento traduzir esses nuances de uma realidade paralela em tudo o que escrevo, desenho, em tudo aquilo que vivo. Desenhar, escrever são minhas grandes paixões, mas algo que me move e toca muito o meu ser é a música (provavelmente nunca verão eu cantar ou tocar em lugar nenhum, sou tímida) , acho que são formas que eu posso passar alegria, paz, amor, conselho, sensibilidade sem invadir e muito menos agredir o espaço do outro.
As pessoas sempre me perguntam o porque de tanto amor pela moda, parece até fútil falar isso né, pois é... sabe quando tinha 4 ou 5 anos sentava na beira da porta de entrada da minha casa onde minha mãe posicionava sua máquina de costura  e vi sai de suas mãos coisas tão lindas, mas um dia me marcou muito, uma moça veio provar um vestido, ele era perolado, longo, muito simples, mais caiu perfeitamente em seu corpo, ela chorou, não entendi ao certo o que era, mas as palavras seguintes nunca saíram da minha memória, ela abraçou a minha mãe muito emocionada e disse apenas: "Jamais poderei agradecer por este presente, gostaria que a Senhora estivesse em meu casamento, pois sem sua ajuda não poderia realizar esse sonho tão bela como estou me sentindo." Foi nesse dia que eu pensei, a minha mãe é uma fada madrinha, quero ser como ela.
Não penso na moda como futilidade, é claro que tendências, coisas fofas e lindas nos chamam atenção, mas meu amor é além do papel, gosto de pegar a linha e a agulha e fazer a coisa tomar forma,  me sinto completa fazendo alguém se sentir bela, realizada, como se fosse uma heroína de mangá desfilando pelas ruas, é algo tão inescapável, e é muito difícil ser aceito por suas esquisitices acredite.
Meu grande e maior sonho é ter um ateliê, sabe aqueles cheios de espelhos, onde você entra e se depara com você mesma e dessa forma possa sair de lá com uma capa de super poderes feita exatamente pra você. É eu sonho uma pouco alto e numa linha completamente diferente da que minha vida segue agora, mas tenho só uma coisa a dizer a meu favor: Deus tá no comando e ele tá só me preparando pro grande dia.
Falei, falei, falei e acabei não falando quase nada, mas sabe aqueles dias que você precisa desabafar coisas aleatórias, pois é, me senti assim ao escrever essa texto.


Ana Rita Pardim

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