Sempre me senti meio fora do contexto, fora dos padrões,
nunca fui meiga como as garotas do meu colégio, muito menos querida e popular,
estava sempre do lado dos excluídos, ou dos esquisitos. Sempre fui muito
observadora, sempre pensei muito antes de tomar uma atitude, cheguei a pensar
tanto que acabei não agindo.
Confesso que por um tempo meu jeito de ser, e de ser tratada
pelos demais me incomodava, me sentia um famoso zero a esquerda, mas, com o
tempo fui percebendo que não importa o quão bonito você é, o quão simpático
aparenta ser, o quão bem se veste, o quão inteligente é, as pessoas veem o que
querem ver.
Raramente as pessoas estão interessadas em conhecer alguém
verdadeiramente, elas estão a procura de algo que encha seus olhos e não seu
coração. E é isso que as leva a serem seres humanos tristes, solitários e
dotados de carências intermináveis.
O ser humano se fecha em uma grande bolha particular e
inclui nela apenas quem acha que valha a
pena, excluindo de suas vidas pessoas que poderiam fazer uma grande diferença.
Não pensemos que isso só acontece com o vizinho, com o amigo
do amigo nosso, com o conhecido do trabalho, com o colega de classe, não, isso
acontece principalmente com aquele carinha que vemos todos os dias refletido no
espelho.
Vamos fazer uma proposta para a nossa vida? Que tal? Vamos tentar buscar algo que nos complete, algo que inunde nossos corações de alegria, de prazer e não aquilo que nos encha os olhos com tal intensidade que os faça transbordar em lágrimas de tristeza.
Ana Rita Pardim

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