Podemos ser o que quisermos e quando quisermos. E é com esse pensamento que levo pra vida que decidi falar sobre um assunto um quanto que "delicado". Hoje recebi uma critica de que deveria alisar meu cabelo novamente, bom, essa ideia engloba muita coisa, e uma delas é a liberdade.
Liberte-se, seja livre, livre de rótulos, livre de prisões sociais idiotas, livre, completamente e simplesmente livre.
Quando eu era criança sofri muito por ter cabelo não só cacheado, mas ele também era cortado como de "menino". E que diabos é coisa de menino e de menina? Que merda sociedade, que MERDA. Colecionei apelidos, xingamentos e uma ou duas brigas, sempre deixava pra lá e chorava em casa, era menos humilhante. Lembro-me de uma, a mais marcante, onde eu parei dentro do balde com água suja da faxineira do colégio. Tinha um menino que me chamava de "hominho" por ter cabelo curto, e nesse dia em especifico eu tinha cortado o cabelo e estava muito triste, porque foi contra minha vontade, fui pra escola usando o capuz do moletom, o abençoado tirou o capuz e começou a me zuar, parti pra cima, apanhei, mas bati também. Crianças sendo crianças e maldosas as vezes.
Pode parecer que vou falar só de cabelo, mas é muito mais, não é só sobre cabelos, é sobre escolhas.
Sou neta de negros e italianos, uma mistura que deu origem a minha pele clara e o meu cabelo com a textura que ele tem. Nunca tive uma real dificuldade com eles, mas não gostava do que falavam sobre ele, porque eles são bonitos. Porém, foram mantidos curtos, BEM curtos até a minha adolescência, porque não tinha permissão pra deixa-los crescer (é, isso é patético). Quando completei 11 anos decidi que estava pronta pra deixa-los crescer, e assim comecei a ver como era ter cabelos compridos, era algo novo e fascinante, PORÉM, na minha família quase todos tem cabelos lisos ou ondulados, e era como um acontecimento, sempre a piada do cabelo ruim rolava. Piadas como: "Que ninho heim", "Xuim esse seu cabelo", " Entra pente?!", "Um rosto tão bonito, mas esse cabelinho heim", "Bombril", "Bosta de rolinha". Enfim.
Com a personalidade meio "difícil" insisti, permaneci com eles enrolados até completar 17 anos, quando alisei, gostei do resultado e mantive por 5 anos, por motivos de fraqueza capilar e falta de saco para novas químicas realizei minha transição (conto mais aqui) e enfim cortei, hoje com 1 ano e 6 meses de cachos me sinto tão extremante realizada e eu mesma que não há explicação que descreva.
Meu cabelo faz parte de mim, é como eu nasci, e se eu achar que devo alisar novamente tem que partir de mim, uma decisão que me deixe confortável e acima de tudo, FELIZ. Porque a felicidade em ser o que quer não tem preço, e se você já leu outros textos meus sabe que não sou das defensoras dos cabelos naturais, nem nada do tipo, sou a favor de ser o quiser, como quiser. Cada um com a sua essência, com a sua personalidade e com seu estilo.
Não existe coisa de meninos e de meninas, existe escolhas. Eu uso gravata e não deixo de ser nem um pouco mulher por isso.
Paremos com esse pensamento pequeno e limitado, mulher não é só mulher se tem cabelo liso e pela cintura, como os homens não são só bonitos se parecem os galãs de TV. ABAIXO OS RÓTULOS!
Use o que quiser se te deixa confortável e feliz, isso é também sobre cabelos e não só sobre cabelos.
Hoje, o meu cabelo me representa, representa a minha personalidade e a minha "rebeldia" em simplesmente ser o que tenho vontade. Crescendo em todas as direções pra escolher a melhor a seguir.
E um beijo especial pra pessoa que me fez escrever esse post hoje, você é um "babaca" por rotular a liberdade de alguém.


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