16 de jul. de 2015

Seja amigo do tempo e ele será seu amigo


 "Você sabe que há
Uma chance para você
Pois você tem um brilho
Você só tem que
Acender a luz
E deixá-la brilhar"
 Firework - Katy Perry


  Em dias muito difíceis, aqueles que a dor assombra, e ressalta todos os meus feitos ruins e errados, quando é inevitável segurar as lágrimas e o sofrimento exasperado , quando tudo o que desejo é sumir, sumir pra bem longe, sem qualquer tipo de comunicação ou companhia. Quando a única coisa que eu preciso é ruminar a minha dor e a minha melancolia exagerada, gosto de sofrer o que há pra ser sofrido, de chorar até a cara inchar, até o nariz trancar, a cabeça latejar, e a dor não ser apenas interna. Masoquismo?! Talvez.
  Preciso desse sofrimento exagerado, ali, na hora, no meu momento, no meu quarto, sozinha, sem partilhar, sem falar, sem ter ninguém pra me consolar. Eu gosto da "solidão" pra sofrer, e as vezes pra viver.
Vou compartilhar uma coisa, muito valiosa: não há nada que te acrescente mais do que a "solidão".
  Nossa, que tremenda babaquice. 
  Bom, depende do ponto de vista.
  É no silêncio que as coisas se revelam, é no silêncio que as coisas são realmente ditas. E é muito difícil se reservar. Demorei anos, anos dolorosos pra descobrir o porque eu precisava da reserva do silencio. Não sabia lidar com ele, achava esquisitice, achava que era um dom que tinha de afastar tudo e todos e era por isso que eu me dava melhor na minha própria companhia. E talvez fosse, e ainda é, porém, é bem mais profundo que isso.
  Precisamos do nossos momentos, precisamos da solidão pra nos desvendar, nos conhecer e claramente e profundamente nos amar. E eu precisei de anos, anos de orações, de análise ( sim, me julguem) pra descobrir que a solidão é boa, é boa quando você sabe lidar com ela.
  É claro, não serei hipócrita, eu adoro estar sozinha, me desenvolvo melhor, mas isso não quer dizer que eu sou sozinha. Sou do tipo que gosta de andar pela rua sem companhia, que gosta de sentar na mesa de um café, na companhia de um livro... não por ser apenas tímida, mas, por me sentir mais confortável. Essa mania, esse jeito que eu aprendi a lidar e a aceitar com o tempo me fez me amar mais, antes eu era apenas uma, sem acrescentar a nada, na verdade era essa a minha visão. Uma zero a esquerda, um equivoco do universo.
  Um equivoco muito grande, desequilibrado, esquisito, cheio de manias "cabulosas", de gostos não muito aceitos pela maioria, e todo esse aglomerado de características que se sobressaltavam perante os meus colegas. Eu sempre fui a menina esquisita que lê ou desenha sozinha pelos cantos. Eu me sentia um nada, e isso não é fofo como a internet coloca, como os filmes da Disney mostram, que ser esquisito é muito fofo e que no final vai dar tudo certo. Pode até ser que no final seja tudo lindo, mais até o final tem o meio, e é nele que eu estou e que preciso lidar.
  Hoje, claramente estou nesse dia de ressaltar dores. Sinto muito. 
  O tempo foi meu amigo, e eu, eu fui amiga do tempo. Ele me ensinou muito, me ensinou que eu sou o que sou porque alguém precisava ser, pois somos as peças de um imenso quebra cabeça, e sem a minha presença no universo ele não seria o mesmo, assim como a sua. Somos uma estrela da grande constelação, somos a parte de um todo. Somos a luz que o universo precisa, com as nossas peculiaridades e características. E é por isso que eu sei, hoje no auge da minha loucura que ser "esquisito" vale a pena.
  A cada dia é uma luta, é uma nova vivência, e é uma nova oportunidade para a nossa aceitação. Se aceitar é o começo, se você se aceita não há ninguém no mundo que possa ter a audácia de fazer o contrário. Porque somos magníficos.


"Vocês são a luz do mundo."  Mateus 5:14



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