28 de nov. de 2014

Quebrando as barreiras do "fantástico" mundo rosa




Aqui sentada na minha cama, com um lençol de estampa pateticamente infantil e rosa, fones no ouvido, escutando o bom e velho Aerosmith, o clima está abafado, abafado o bastante pra te fazer transpirar mesmo estando sentado, clima que te faz querer morar no litoral, ou em uma cidade descente, mesmo que pra mofar no quarto, sentada na cama forrada com um lençol patético.
Não sei porque reclamo do meu lençol, eu mesma o escolhi a dedo em uma loja de departamento tempos atrás, mas acho que é esse  o problema, as escolhas de ontem não seriam as mesmas de hoje. Pobre lençol.
As pessoas tem o péssimo hábito de dizer que o mundo não é perfeito, muito pelo contrario, ele não é nada cor de rosa. Pensando nisso, algum tempo atrás resolvi mudar meu quarto, o pintei, completamente de rosa. Sim, inclusive o teto. Foi como uma afronta ao mundo, uma afronta a imperfeição que subjetivamente há nele. Eu teria enfim o meu mundo rosa e perfeito, o meu todo particular.
Dentro do meu pequeno mundo desfruto do meu eu de todas as formas, contemplando os momentos bons, e prolongando os dias ruins encharcando o meu travesseiro rosa de lágrimas, tarde da noite pra que o resto da casa não escute e perceba que aqui dentro o mundo continua tão imperfeito e cinza quanto lá fora, ou até mais.
Meu refugio mundano me permite paz, porém, paz demais alucina, enlouquece, entedia... e hoje no auge da minha "paz lúcida e cor de rosa" eu imploro pela quebra das barreiras que criei com a realidade do mundo. 

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