12 de mar. de 2014

Meu coração não é exatamente de pedra



Parasita da minha própria vida, assim que tenho me sentido. Sei que é um pouco estranho, mas acredito que não sou a única que às vezes se sente telespectadora da própria vida. A noite passada enquanto escutava o tique-taque do despertador (sim, eu sou à moda antiga e ainda uso despertador de ponteiros) senti uma dor, uma dor que nascia na boca do estomago e estacionava no peito, algo que dificultava a minha respiração. Doía tanto que não consegui conter as lágrimas.
Não me permito chorar com frequência, o que talvez seja um defeito. Tenho a patética mania de relacionar o choro a fraqueza, o que na verdade não tem uma relação plausível, ele na verdade só demonstra que meu coração não é exatamente de pedra.
Coração de pedra, ta aí algo que eu realmente não tenho. Sou incrivelmente “sentimentalóide” , que às vezes não me suporto, só não gosto de transmitir isso, não por meio de atitudes, talvez por meio das minhas insanas poesias eu transborde todas essas alucinações amorosas, e isso me faz sentir como um parasita, parasita do que sou e do que demonstro ser.
Se você lê o que escrevo, conhece meu coração, se me deduz pela aparência, com toda a certeza desconhece a minha essência. E por guardar o que eu sou, o que sinto e amo para o papel, deixei de amar na vida real e é isso que tem doído tanto. A falta de amor, a falta de amar deixa um vazio, um vazio que dói intensamente, como uma ulcera da qual você tem vontade de deitar na cama em posição fetal, a fim de se sentir aquecido e menos vulnerável.

Escrever tem evitado o meu enlouquecimento, mas não tem me proporcionado amor, ou coragem pra transcender o que escrevo. Isso não é culpa das “escrituras”, é culpa da minha covardia, covardia essa que tomou conta do meu ser a muito tempo e tem me feito estacionar na vida. E o que me resta, ou me restou, é chorar de vez em quando pra mostrar que ainda sinto, sinto com intensidade, sinto com verdade e acima de tudo, sinto na realidade não só no papel.



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