Parasita da minha própria vida, assim que tenho me sentido. Sei
que é um pouco estranho, mas acredito que não sou a única que às vezes se sente
telespectadora da própria vida. A noite passada enquanto escutava o tique-taque
do despertador (sim, eu sou à moda antiga e ainda uso despertador de ponteiros)
senti uma dor, uma dor que nascia na boca do estomago e estacionava no peito,
algo que dificultava a minha respiração. Doía tanto que não consegui conter as
lágrimas.
Não me permito chorar com frequência, o que talvez seja um
defeito. Tenho a patética mania de relacionar o choro a fraqueza, o que na
verdade não tem uma relação plausível, ele na verdade só demonstra que meu
coração não é exatamente de pedra.
Coração de pedra, ta aí algo que eu realmente não tenho. Sou
incrivelmente “sentimentalóide” , que às vezes não me suporto, só não gosto de
transmitir isso, não por meio de atitudes, talvez por meio das minhas insanas
poesias eu transborde todas essas alucinações amorosas, e isso me faz sentir
como um parasita, parasita do que sou e do que demonstro ser.
Se você lê o que escrevo, conhece meu coração, se me deduz
pela aparência, com toda a certeza desconhece a minha essência. E por guardar o
que eu sou, o que sinto e amo para o papel, deixei de amar na vida real e é
isso que tem doído tanto. A falta de amor, a falta de amar deixa um vazio, um
vazio que dói intensamente, como uma ulcera da qual você tem vontade de deitar
na cama em posição fetal, a fim de se sentir aquecido e menos vulnerável.
Escrever tem evitado o meu enlouquecimento, mas não tem me
proporcionado amor, ou coragem pra transcender o que escrevo. Isso não é culpa
das “escrituras”, é culpa da minha covardia, covardia essa que tomou conta do meu
ser a muito tempo e tem me feito estacionar na vida. E o que me resta, ou me
restou, é chorar de vez em quando pra mostrar que ainda sinto, sinto com
intensidade, sinto com verdade e acima de tudo, sinto na realidade não só no
papel.

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