Dias e dias sem aparecer por aqui, me desculpem. Pra ser sincera, acho que essas desculpas são mais para meu próprio ser do que pra qualquer outra pessoa. Acredito que o maior julgador de nossas vidas e de nossos erros somos nós mesmos, e ultimamente tenho me julgado de uma forma tão cruel. Tenho julgado do fio de cabelo ao dedinho do pé, das atitudes mínimas as de grande porte, tenho julgado o que penso, o que sinto, o que falo, o que silencio, o que faço e até mesmo o que deixo de fazer. Tenho julgado a minha existência de todas as formas possíveis.
Patético, eu sei, mas pra uma pessoa que presa tanto a liberdade se render a uma prisão particular, espiritualmente descontrolada, desnecessária e sobre tudo sofredora. Acredito que não seja a primeira, nem a ultima muito menos a única que já tenha se sentido assim. É um sentimento desassossegado e angustiante, um desconforto com própria vida, uma duvida de que se esta exatamente onde e quando deveria estar. Será?! Será que sim, será que não, será que... talvez. É tanta dúvida pra pouco esclarecimento.
Exatamente não sei definir se quero resposta, ou simplesmente uma mudança radical. Sabe quando dá aquela louca e você coloca numa mochila só o necessário e pega a estrada, sem rumo certo, sem destino especifico?! Acho que essa é a unica certeza que tenho agora: distância, novidades, uma terra pra chamar de minha, nem que seja por pouco tempo. Encontrar o meu eu que se perdeu em tamanho turbilhão de devaneios.
Olhar pra sua vida e não se encontrar nela é algo completamente enlouquecedor, e assim que ando me sentindo, perdida na vida que dizem ser minha. Meus sonhos foram colocados num envelope, titulado: Pra depois, se der. E nada , NADA mais doloroso do que imaginar que não sobrará tempo pra viver a sua vida. Cada vez que imagino que posso passar pela Terra sem dizer quem eu sou, e porque eu vim, meu coração dilacera, como se estivesse sendo torturada, basicamente me vejo na guilhotina.
Chorar não resolve, reclamar muito menos, mas me vejo fraca demais pra encarar as coisas de frente, encarar que fui frouxa e não passei por cima das normas que estabeleceram, mas sempre prevaleço a felicidade dos outros e a minha sempre fica em segundo, talvez em terceiro e até em quarto ou quinto plano. Por medo de magoar, ferir, eu cedi, cedi viver a vida dos sonhos de alguém, me prender a um lugar que nunca chamei e JAMAIS chamarei de meu. Não tem a minha cara, não possui a minha essência.
Já tentei colocar na cabeça que nós fazemos o lugar, que nós fazemos ele ter a nossa cara, mas acredite, você pode fazer isso com seu quarto, com sua casa, até mesmo com seus grupo de amigos, mas nunca conseguirá deixar a sua cidade, a sua faculdade, e a mentalidade das pessoa brejeiras do interior entender o que é querer ser alguém fora dos padrões. Não me levem a mal, mas eu convivo com brejeiros, a final, por mais estranho que seja eu sou uma. Estranho?! Talvez, eu só não queira ser uma garota que foi criada no interior e se tornou Doutora.
Do interior pro mundo, isso sim. Poder mostrar quem eu sou, ser eu mesma sem sentir que agrido as pessoas que amo, dizer o que penso sem causar uma briga no café da manhã, dizer que a justiça de Deus é a única na qual confio e acredito. Poder sentar no banco do parque pra observar e desenhar por horas, não ter medo de dizer que sonho em viver da arte, nem que seja com pouco, mas com muita felicidade e a certeza de que nasci pra isso. Nasci pra traduzir o que as pessoas não conseguem expressar.
Queria acordar todos os dias com aquele friozinho na barriga, aquela adrenalina de que HOJE É UM GRANDE DIA! Mas, a última vez que me senti assim foi... bom, faz tanto tempo que nem me lembro. Fora isso, dias são apenas dias. E isso faz com que a vida se torne dolorosamente longa. Realmente acho que esse desagrado com a minha "vida" é que tem causado todo esse questionamento de: será que sou ser humano ou uma fantoche saciador de sonhos alheios.
Injusta. Sinto-me assim as vezes por julgar os que de forma estranha desejam o meu bem, mas acho que sou capaz de possuir meus próprios sonhos e de busca-los. Não os culpo, mas não me peçam para não me sentir usada e desvalorizada, afinal eu também sou capaz de ter um futuro por meus próprios méritos.

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