Estou inquieta, ansiosa, com vontade de mudar algumas coisas na vida, no futuro, nos sentimentos, em mim. Não sei o porquê dessa vontade, na verdade talvez saiba e não queira analisar, não verdadeiramente.
Faz algum tempo que venho sentido uma vontade, uma sede de vida nova, sabe quando você deseja que absolutamente tudo mude como num passe de mágica?! Pois é, esquecer amores antigos, ter novas expectativas, conhecer novas pessoas, mudar para outra cidade, pra ver se a vida flui.
Não quero parecer insensível em querer deixar tudo para traz, mas me sinto presa, e sei que parte de mim a decisão de ser “livre” em qualquer lugar que seja, mas acredito que novos ares, novos rostos, novos olhares, novas historias ajudariam nessa reconstrução pessoal.
Analiso fotografias antigas, às vezes me encontro só no retrato, viajo no tempo, afundada em lembranças e recordando como já fui feliz e que como essa felicidade tem diminuído ao decorrer dos anos. E com isso me questiono: será que só somos completamente felizes quando crianças, e que quanto mais crescemos mais difícil se é de alcançar esse estado de espírito, esse sentimento que de certa forma nos torna completos?!
Completa, cheguei ao ápice da questão. Creio que esse seja o problema, não me sinto completa, muito pelo contrario, me sinto vazia. Não que eu não tenha orgulho de quem sou, superei muitas coisas, enfrentei barreiras que até hoje não acredito que as venci, mas todo ser humano levanta todos os dias para enfrentar uma nova batalha, isso não é apenas mérito meu.
Fico me perguntando com uma grande frequência se me sentirei completa algum dia, sei que esse texto pode parecer mais um melodrama, e na verdade ele é, afinal é assim que venho me sentindo, um grande e infinito drama.
Tenho ideias malucas, sonhos quase que inalcançáveis, pensamentos estranhamente loucos e lembranças perturbadoras. Creio que isso não seja exclusividade minha, afinal, de perto ninguém é realmente normal. Pra ser sincera não sei definir normalidade, mas, queria me sentir um pouco menos fora do contexto às vezes.
Conto os dias pra acabar o mês, pra acabar o ano e isso é patético, pois não sou mais uma adolescente de 16 anos, ok, não tenho uma idade que posso dizer que carrego uma super bagagem, mas, ouvi dizer que idade é apenas um número.
Muitas das pessoas próximas a mim dizem que eu pareço nunca crescer, e isso realmente me incomoda de certa forma, é estranho nunca conseguir se ver com maturidade ou pensando como um adulto, não sei se esse transe de adolescência para a juventude pra uns chega aos 17, pra outros aos 20, 22 ou aos 40 e se é que chega um dia.
Como o Pequeno Príncipe defende, não devemos nos tornar pessoas sérias, fiquei pensando muito sobre o que é ser uma pessoa séria (...) e será que estou me tornando uma, por isso estou me sentindo tão incompleta e confusa com o que sou e tenho na vida?!
Sinto-me tão pequena, insignificante, tão absolutamente um “nada” no meio de um tudo que não é destinado a mim, pois nada nesse tudo tem me tornado completa, muito menos preenche as lacunas deixadas pela vida, mas sinceramente estou disposta a me libertar desse pensamento, ou até estado de espírito que tem me feito dramatizar a vida.
Ana Rita Pardim

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