Ser quem eu quero ser
Sinto-me presa dentro de mim, não sei se isso é realmente possível,
mas, me sinto inibida, inibida em ser o que desejo ser. Sinto-me presa em um
mundo que foi criado e assim imposto como ideal para minha felicidade, o grande
problema é que não perguntaram se era esse tipo de felicidade que gostaria de
ter.
Paro, olho o horizonte em busca de explicações, em busca de
caminho, mas nada vejo. Nada além de uma imensa nuvem branca lotada de sonhos
alheios, os quais eu queria devolver a quem os mandou até aqui.
Sobrevivo sobre um caos, um caos de coisas que desejo viver,
mas, que por fraqueza e omissão permiti que não passassem de desejos infantis,
permitindo assim que a vida seguisse um percurso patético, assim como uma folha
que cai no rio e simplesmente deixa-se ser levada pela correnteza.
Vivo uma vida comum, e esse é o grande problema, ser comum é
pouco demais pra mim. É tão banal acordar todos os dias com a sensação de que
não será um “novo” dia, mas, sim um ontem com a data do calendário modificada. Dias
iguais, vidas iguais, atos iguais, lugares iguais, realmente não nasci pra
viver a rotina.
Meus sonhos parecem cada vez mais distantes, improváveis,
loucos e diria até impossíveis, mas continuo acreditando pois, sonhar é o que
ainda me mantém viva e crendo que essa barreira entre o sou e o quero ser vai
ser derrubada.
Prometo-me todas as noites ao deitar que mesmo que demore
anos, ainda me orgulharei da pessoa que no espelho reflete, o primeiro passo
foi dado, a caminhada está sendo difícil, mas eu sempre fui fascinada por
desafios. O improvável sempre me surpreendeu e é assim que vou surpreender o
mundo, sendo quem eu realmente sou.
Ana Rita Pardim

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